RESULTADOS
Porto Alegre (RS)
Setembro — Dezembro de 2025 · 2 Caravelas · 2 territórios aquáticos · 77 dias de operação
GUAÍBA E ARROIO DILÚVIO
NOTA SOBRE OS DADOS
Os resultados apresentados nesta página refletem a consolidação mais recente dos dados da operação. À medida que novas análises são concluídas e a base de dados é atualizada, alguns indicadores podem apresentar variações em relação a versões divulgadas anteriormente.
Dados atualizados em setembro de 2026.
ENTRE O ARROIO
E O GUAÍBA, UMA CIDADE
SE REVELA PELA ÁGUA
Em Porto Alegre, duas Caravelas operaram simultaneamente em dois sistemas aquáticos da mesma cidade.
Uma no Guaíba, junto ao Parque Pontal.
Outra no Arroio Dilúvio, que atravessa a cidade antes de encontrar o Guaíba.
Mesma tecnologia.
Mesma cidade.
Águas profundamente diferentes.
Ao longo da operação, biomassa, contaminantes e elementos retidos revelaram respostas distintas em cada água.
Porto Alegre mostrou, na prática, que não existe uma única água.
Estes são alguns dos resultados dessa experiência.

RESULTADOS EM DESTAQUE
OS NÚMEROS CONTAM
PARTE DA HISTÓRIA.

DUAS ÁGUAS
A MESMA TECNOLOGIA.
DUAS RESPOSTAS
COMPLETAMENTE DIFERENTES.
O Guaíba e o Arroio Dilúvio fazem parte do mesmo sistema urbano de águas.
Mas, ao longo da operação, as Caravelas revelaram condições muito distintas entre os dois ambientes.
No Guaíba, junto ao Parque Pontal, uma água aberta, marcada pela circulação, pelos ventos e pela dinâmica do grande corpo hídrico.
No Arroio Dilúvio, um curso d’água urbano que atravessa uma bacia densamente ocupada antes de encontrar o Guaíba.
Essas diferenças também ficaram registradas na biomassa.
GUAÍBA
80 G DE METAIS
retirados com a biomassa
ARROIO DILÚVIO
340 G DE METAIS
retirados com a biomassa


CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL
A BIOMASSA TAMBÉM VIROU UMA FORMA DE LER A CIDADE.
GUAÍBA · PARQUE PONTAL

*Os valores expressam a relação entre as concentrações identificadas na biomassa e os valores de referência utilizados na análise. Não representam concentrações medidas diretamente na água.
As análises da biomassa permitiram comparar os elementos retidos nos dois pontos de operação e observar perfis bastante distintos.
No Guaíba, alguns dos maiores valores encontrados
na biomassa estiveram associados a alumínio, fósforo,
titânio, ferro, manganês e cobre.
ARROIO DILÚVIO
No Arroio Dilúvio, a biomassa revelou
outra composição e outras magnitudes.

*Os valores expressam a relação entre as concentrações identificadas na biomassa e os valores de referência utilizados na análise. Não representam concentrações medidas diretamente na água.
Isso transforma os dois gráficos em uma espécie de impressão digital de cada água.
CADA ÁGUA
DEIXOU UMA MARCA
DIFERENTE NA BIOMASSA.
Os dois pontos compartilham alguns elementos, mas apresentam proporções e concentrações distintas, reforçando a leitura de dois contextos ambientais
dentro de um mesmo sistema urbano de águas.



POLUENTES
DUAS ÁGUAS.
DIFERENTES MARCAS
DA VIDA URBANA.
As análises investigaram diferentes classes
de compostos associados às atividades humanas e às dinâmicas de uma bacia urbana.
PCBs. Esteróis fecais. Pesticidas.
Hidrocarbonetos alifáticos e aromáticos.
Metais. Nutrientes.
Entre os compostos identificados na biomassa,
dois ajudam a revelar como diferentes marcas
da cidade podem permanecer e circular pela água.
Entre os compostos identificados estavam também:

DDT
UM POLUENTE DO PASSADO
QUE AINDA PODE PERMANECER
NO PRESENTE.
O DDT é um poluente orgânico persistente, conhecido por sua elevada permanência no ambiente e por sua lenta degradação.
Mesmo após décadas de restrições ao seu uso, seus resíduos podem permanecer associados a sedimentos, água e organismos.
Sua identificação na biomassa das Caravelas revela como substâncias utilizadas no passado podem continuar deixando marcas nos ecossistemas aquáticos.
FTALATOS
MARCAS DO USO DE PLÁSTICOS
TAMBÉM CHEGAM À ÁGUA.
Ftalatos são compostos utilizados em diferentes materiais e produtos de uso cotidiano, especialmente como plastificantes.
Como não permanecem necessariamente ligados à estrutura desses materiais, podem ser liberados ao longo do tempo e alcançar solos, sedimentos e ambientes aquáticos.
Sua identificação na biomassa aponta para o potencial da Caravela de reter compostos associados à contaminação por materiais plásticos, retirando-os do sistema junto com a biomassa coletada.
A CIDADE TAMBÉM,
DEIXA MARCAS NA ÁGUA.

CLIMA & RESILIÊNCIA
QUANDO O TEMPO MUDA, A ÁGUA,
TAMBÉM MUDA.
Durante a operação, Porto Alegre enfrentou chuvas intensas, ventos fortes e eventos meteorológicos severos, incluindo a passagem de um ciclone extratropical que atingiu a região.
As mudanças no tempo alteraram as condições dos dois pontos onde as Caravelas estavam instaladas.
E cada água respondeu de uma maneira.
ARROIO DILÚVIO
QUANDO CHOVE,
O ARROIO CARREGA
MUITO MAIS QUE ÁGUA.
Canalizado e inserido em uma bacia densamente urbanizada, o Arroio Dilúvio responde rapidamente às chuvas intensas.
Com o aumento da vazão, galhos, árvores e resíduos de grande porte passam a ser transportados pela força da água, criando condições particularmente desafiadoras para a operação.
Mesmo instalada com duas âncoras e um cabo adicional de segurança, a Caravela foi deslocada duas vezes após episódios de chuva e ventos fortes, associados ao impacto e ao arraste desses materiais pelo Arroio.
Durante o período da operação, registros no curso d’água ajudaram a dimensionar a escala desse fenômeno:
Sofás. Televisores. Até veículos.
Mais do que a intensidade das chuvas, a experiência revelou como um sistema urbano pode transportar, junto com a água, as marcas da cidade que atravessa.
A força da água revelou também o que a cidade deixa chegar até ela.


GUAÍBA
O GUAÍBA CARREGA CONSIGO O QUE O TEMPO COLOCA EM MOVIMENTO.
No Guaíba, o desafio foi outro.
Após períodos de chuva e vento, galhos e grandes fragmentos de vegetação acumulados nas margens voltavam à água e eram transportados pelo sistema.
Ao longo da operação, esses materiais atingiram a Caravela em diferentes momentos, danificando telas que precisaram ser substituídas.
Logo na primeira coleta, a equipe retirou uma árvore de aproximadamente 7 metros que havia alcançado a estrutura.
DUAS ÁGUAS.
DUAS DINÂMICAS.
UMA TECNOLOGIA
APRENDENDO COM O TERRITÓRIO.
Operar em ambientes reais significa também responder ao imprevisível.
Cada deslocamento, impacto e manutenção
gerou aprendizados sobre ancoragem, materiais, proteção e adaptação da Caravela a diferentes condições hidrodinâmicas.
Resiliência, aqui, não significa permanecer imóvel.
Significa aprender com a água e evoluir a partir dela.

CIRCULARIDADE
DUAS ÁGUAS.
DOIS RESÍDUOS.
DOIS DESTINOS.

A Caravela retira da água biomassa que carrega consigo nutrientes, partículas, resíduos e contaminantes.
Depois das análises científicas, o material excedente precisa seguir um destino
compatível com aquilo que a própria água revelou.
Em Porto Alegre, duas águas produziram biomassas diferentes.
E cada uma exigiu uma rota própria.
QUANDO A BIOMASSA
PODE VOLTAR À TERRA.
GUAÍBA · PARQUE PONTAL
No Guaíba, a biomassa apresentou condições
que permitiram seu encaminhamento para compostagem orgânica.
Com a Trashin, o material foi destinado à composteira
do próprio Parque Pontal, seguindo um processo
de transformação em biofertilizante para o paisagismo local.
O que saiu da água pôde retornar ao território
como recurso.
ARROIO DILÚVIO
QUANDO REUTILIZAR
NÃO É A RESPOSTA.
No Arroio Dilúvio, a biomassa carregava
microplásticos, partículas e contaminantes
que impediam seu retorno seguro ao solo.
Por isso, o material foi encaminhado para
coprocessamento, garantindo uma destinação
ambientalmente adequada ao passivo retirado da água.
Porque fechar um ciclo também significa
saber quando ele não deve voltar à natureza.
CIRCULARIDADE NÃO É REUTILIZAR A QUALQUER CUSTO.
É conhecer o material.
Entender o que ele carrega.
E definir, a partir disso, o destino mais responsável.
A água orientou a coleta.
A ciência orientou o destino.



CARBONO
A REGENERAÇÃO DA ÁGUA
TAMBÉM TEM
UMA DIMENSÃO CLIMÁTICA.
* Valor calculado a partir do carbono incorporado à biomassa produzida durante a operação.
** Estimativa calculada a partir da comparação com o consumo energético de uma estação convencional de filtração de água utilizada como referência no estudo.
EMISSÕES EVITADAS
210 KG CO₂eq
DE EMISSÕES EVITADAS**
Enquanto crescia nas Caravelas, a biomassa incorporou carbono,
retirado da dinâmica do próprio sistema ao longo da operação.
MENOS ENERGIA PARA OPERAR.
MAIS NATUREZA FAZENDO O TRABALHO.
CARBONO INCORPORADO À BIOMASSA
4,7 KG CO₂eq
Arroio Dilúvio
0,3 KG CO₂eq
Guaíba · Parque Pontal
5 KG CO₂eq INCORPORADOS À BIOMASSA*
Ao mesmo tempo, a Caravela opera
com baixo consumo energético.
Quando comparada ao consumo de energia
de uma estação convencional de filtração de água
utilizada como referência no estudo,
essa diferença também se traduz
em emissões evitadas.
DA OPERAÇÃO PARA A PESQUISA.
CIÊNCIA & LEGADO
A OPERAÇÃO
GEROU DADOS.
OS DADOS ABRIRAM
NOVAS PERGUNTAS.
UFRGS
Em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a experiência passou também a integrar uma pesquisa acadêmica.
Sob orientação da Profa. Dra. Lúcia Helena Ribeiro Rodrigues, o trabalho desenvolvido por Maria Clara Segaspini Golombieski investiga a composição e a sucessão ecológica das comunidades algais associadas às Caravelas.
A pesquisa relaciona esses registros a parâmetros físico-químicos da água, ampliando a compreensão sobre as dinâmicas ecológicas que se estabelecem ao redor das estruturas.


67 ESPÉCIES


IDENTIFICADAS NAS CARAVELAS
Primeira listagem taxonômica
associada à operação em Porto Alegre.
Porto Alegre não terminou com o encerramento do primeiro ciclo de operação e monitoramento.
Os dados produzidos pelas Caravelas abriram novas frentes de investigação e deram continuidade à relação entre ciência, território e água.
VISIBILIDADE & MOBILIZAÇÃO
QUANDO A ÁGUA
ENTRA NA CONVERSA, O ALCANCE VAI ALÉM DAS MARGENS.


A experiência em Porto Alegre
também ampliou a conversa sobre águas urbanas,
regeneração e Soluções Baseadas na Natureza
para além dos pontos de operação.


36 MATÉRIAS E CONTEÚDOS
em TV e mídia
15 POSTAGENS
sobre o projeto

4,6 MILHÕES DE PESSOAS
alcançadas
65 MIL INTERAÇÕES
nas redes sociais da Infinito Mare

IMPACTO CONECTADO
UM TERRITÓRIO.
DIFERENTES DIMENSÕES
DE IMPACTO.
A operação em Porto Alegre conectou água, ciência, clima, circularidade, inovação e articulação em rede.
Essas diferentes frentes aproximaram o projeto de múltiplos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, mostrando como uma mesma operação pode gerar impactos que atravessam diferentes dimensões da Agenda 2030.

DUAS ÁGUAS.
UMA MESMA CIDADE.
NENHUMA RESPOSTA IGUAL.
Porto Alegre mostrou que não existe uma única água urbana.
Ao operar simultaneamente no Guaíba e no Arroio Dilúvio, as Caravelas encontraram dinâmicas,
respostas e desafios muito diferentes.
A biomassa foi diferente.
Os elementos foram diferentes.
Os destinos foram diferentes.
Os aprendizados também.
Mais do que comparar dois pontos, a operação revelou como cada sistema aquático carrega as marcas do território que atravessa.

O PRIMEIRO CICLO TERMINOU.
A PRESENÇA, NÃO.
A parceria com a Marina Pontal possibilitou que essa história continuasse.
Hoje, duas Caravelas seguem lado a lado no Parque Pontal, dando continuidade à observação, à pesquisa
e à geração de dados sobre o Guaíba.
ATÉ SETEMBRO DE 2026
permanência prevista das Caravelas no Pontal
E talvez essa seja uma das maiores lições que Porto Alegre deixou:
PARA CUIDAR DA ÁGUA,
PRIMEIRO É PRECISO APRENDER A LÊ-LA.
E continuar presente para acompanhar o que ela revela.

